Arquitectónico

IGREJA DA MISERICÓRDIA
(Igreja da Senhora da Visitação)

Monumento Nacional
Rua 1º de Dezembro

  • Horário: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
  • Encerra às Segundas e Terças-Feiras

A construção da Igreja da Misericórdia, em meados do séc. XVI, ocorreu por especial empenho da rainha D. Catarina, regente pelo seu neto, D. Sebastião. A obra, assinada por um dos mais importantes arquitectos portugueses quinhentistas, Miguel Arruda, arquitecto da Casa Real, foi morosa e a sua conclusão deu-se apenas no período filipino.

Recebendo já as influências da Contra-Reforma, a igreja revela no seu interior o “mais impressionante dos espaços arquitectónicos do séc. XVI em Santarém”. É um exemplo perfeito de igreja-salão, de soberbas proporções, com três naves , todas à mesma altura, com abóbadas de nervuras cruzadas, iluminadas por seis janelas rectangulares e sustentadas por dez colunas toscanas, decoradas com brutescos, elementos que conferem a estrutura espacial e monumentalidade ao conjunto.

A igreja foi originalmente pavimentada com ladrilho de barro rubro, que seria substituído, no primeiro quartel do séc. XVIII, pelo actual lajedo. Outras alterações, prejudiciais à harmonia original, foram introduzidas: o coro tardio, obra neo-clássica, que diminui o espaço interior ao aglutinar duas colunas e a substituição do retábulo maneirista por outro oitocentista de menos feliz execução.

Nada subsiste da fachada quinhentista. A actual, seccionada em termos verticais, com pórtico, três janelões ornados com conchas, festões, frisos de ábacos e outros elementos, e frontão golpeado, denuncia as campanhas subsequentes ao terramoto de 1755.

 


IGREJA DE JESUS CRISTO
(Igreja do Convento de Nossa Senhora de Jesus do Sítio)

Monumento Nacional
Largo Cândido dos Reis

  • Horário: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
  • Encerra às Segundas e Terças-Feiras

A Igreja e o Convento de Nossa Senhora de Jesus do Sítio, da Ordem Terceira de S. Francisco, ergueram-se desde a primeira metade do séc. XVII, até aos primeiros anos do século XVIII.

A obra obedece aos cânones da arquitectura chã maneirista. É na fachada que se define o programa arquitectónico que a caracteriza, com duas torres sineiras ladeando os três planos desenvolvidos, de curiosa simetria de janelas e nichos, que ostentam frontões circulares ou triangulares e três portadas.

A planta interior é de cruz latina, onde se evidencia uma capela-mor funda e um transepto curto, em cujo cruzeiro assenta uma cúpula. Possui quatro capelas laterais, de cada lado da nave, comunicantes entre si. O coro é uma das mais conseguidas obras realizadas nas igrejas da cidade, destacando-se a pintura do tecto (1723), na qual trabalhou um dos mais reputados pintores de perspectivas arquitectónicas: António Simões Ribeiro. O edifício é todo coberto de abóbada de berço, onde se rasgam as janelas de iluminação interior.

A decoração interior reflecte as tendências artísticas dos séculos XVII e XVIII quer na talha dourada dos altares, quer na pintura dos retábulos, quer ainda no revestimento azulejar e na pintura a fresco dos tectos. Na capela-mor, destaque para o altar tardo-resnascença, em pedra, com pintura em tela de S. Nicolau Tolentino, obra proveniente da Igreja da Graça e cuja autoria é atribuída ao pintor Diogo Teixeira.

 


CAPELA DA ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO

(anexa à Igreja de Jesus Cristo)

* O acesso faz-se pela Igreja de Jesus Cristo

A Capela da Ordem de Terceiros de S. Francisco  foi erguida ao lado da Igreja do Convento de Nª Srª de Jesus do Sítio em 1666, pela respectiva irmandade. Como na altura a Igreja do Convento ainda não se encontrava totalmente construída, as características da Capela foram determinadas por esse facto. Trata-se de um espaço religioso com entrada pelo exterior e pelo cruzeiro da Igreja, do lado do Evangelho, então nave principal, parecendo assim transversal ao edificado. A fachada principal é simples com uma janela gradeada e um óculo, notando-se o uso de cantaria almofadada.

Na sua intervenção intervieram os patrocínios de Tristão Nunes Infante, do Conde de Unhão, (D. Rodrigo Telles de Menezes), de Manuel de Saldanha e Sande e D. Diogo Fernandes de Almeyda, alcaide-mor da Vila. O interior encontra-se totalmente decorado com telas (na parte superior) e painéis de azulejo da 1ª metade do século XVIII (a servir de lambris altos), tudo alusivo a cenas da vida de figuras gradas, franciscanas e clarissas, molduradas por talha dourada, segundo costume setecentista.

A identificação das telas ricamente molduradas, que dão à capela, em conjugação com todo o ornato, a ideia de uma obra-total, foram feitas pelo cónego Duarte Dias.

Lado do Evangelho:

Lado da Epístola:

O Beato Amadeo
S. Leão, Arcebispo de Milão
Santa Isabel Rainha de Portugal
Santa Isabel, Rainha da Hungria
O Beato Jacome de Laud, Sacerdote
S. Francisco de Assis
S. Elzº e Sª Delfina, Condes de Arriana
Santa Clara de Monte Falco
Beato Gualtero, Bispo de Trevizo
O Beato Bartholo de S. Gimeniano
S. Fernando, Rei de Castela
S. Luís, Rei de França
S. Angela de Fulgino, Vª Cª de Civitelo
A Beata Michelina

 


CAPELA DE NOSSA SENHORA DO MONTE

Monumento Nacional
Rua do Monte

  • Visitas condicionadas a marcação prévia

A Capela de N. Srª do Monte passou a pertencer aos gafos a partir de meados do século XIII, por troca com a Colegiada de Sta. Maria de Alcáçova, a quem pertencia desde finais do séc. XII. Após prolongada contenda judicial, nos finais do séc. XIII, por decisão real, os gafos foram levados para longe dos Conventos, entretanto estabelecidos nas imediações.

A Capela revela na sua elegante arquitectura dois importantes momentos artísticos: o gótico ducentista e o gosto renascença. Registam-se, ainda, alguns vestígios do gótico quatrocentista: pia baptismal, restos de um cruzeiro e edícula mudejarizante.

De uma só nave e cabeceira abobadada em dois tramos, à qual se acede através de um arco quebrado, é obra do gótico ducentista. Uma porta lateral de arco trilobado e os modilhões da capela-mor  revelam a construção medieval. O interior é muito simples. O maneirismo influenciou a construção do coro e do púlpito. Um lambril de azulejos seiscentistas (padrão da maçaroca) revestem o interior lajeado.

Mas a riqueza artística da Capela resultou, sobretudo, da campanha quinhentista. É desse período o nicho mudéjar, onde foi colocada a imagem quinhentista da Senhora e a alpendrada, que evidencia uma campanha da renascença, de nítida influência italiana. O alpendre tem ao todo vinte e uma colunas, assentes sobre muro corrido, com capitéis jónicos, decorados com folhagem e contendo nos ábacos rostos de grifos, de anjos alados e motivos florais. O templo sofreu obras de restauro entre 1960 e 1963.

 


Edifício do antigo
HOSPITAL DE JESUS CRISTO
( Convento de Nª Sr.ª de Jesus do Sítio actual edifício da Misericórdia )

Monumento Nacional
Largo Cândido dos Reis

Este Hospital foi fundado em 1426, no reinado de D. João I, pelo Conselheiro de El Rei, João Afonso que, em seu testamento de 6 de Dezembro de 1426, doou todos os seus bens e determinou nas suas casas de morada (actualmente pertencentes à Câmara Municipal de Santarém, onde esteve instalado o Tribunal Judicial e anexo funciona o Teatro Sá da Bandeira), se fundou um hospital com a denominação de Jesus Cristo.

Este grande benemérito a quem a cidade de Santarém deve a existência da melhor obra que possui, perdeu toda a sua fortuna em auxiliar o seu rei nas guerras contra a invasão dos castelhanos e tendo El Rei em consideração os serviços prestados à pátria por este vassalo, não só com o seu braço guerreiro, mas também com o sacrifício de todos os seus bens até à completa ruína da sua fazenda, houve por bem compensar-lhe a sua grande abnegação fazendo-lhe mercê de todos os bens confiscados àqueles que seguiram a sua causa de Castela.

Assim, João Afonso voltou a ser senhor da poderosa fortuna. Deste benemérito fidalgo existe um quadro que se encontra na Provedoria da Santa Casa da Misericórdia.

Perpetuando a memória de tão justo varão, chamava-lhe o povo, o Hospital de João Afonso. O fundador não se limitou a criar este hospital, pois no seu testamento existem mais obras que criou.

O Hospital de Jesus Cristo passa em 1834 para o Convento de Nª Srª de Jesus do Sítio, no antigo Largo das Amoreiras, actualmente designado por Largo Cândido dos Reis, aí se mantendo em funcionamento até à inauguração do novo Hospital Distrital de Santarém, em 1986.

[ DGEMN – (Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais) ]