Lar dos Rapazes

O Lar dos Rapazes em Setembro de 2002, sofreu uma profunda remodelação, por forma a adequar-se à realidade actual dos Jovens que tem vindo a acolher. O modelo tradicional de funcionamento da instituição, à semelhança da maioria dos Lares de Infância e Juventude, regia-se por um forte factor proteccionista. A Criança ou Jovem, eram tidos como cidadãos “menores”, com menos direitos, à mercê de uma comunidade que lhes devia prover: comida, roupa, saúde e educação.

As sucessivas alterações políticas e sociais do país e consequente aumento da exigência ao nível dos anos de escolaridade, veio exigir aos Jovens institucionalizados, maior grau de competências escolares, o que supõe um bom desenvolvimento nas áreas da cognição e da emoção, por forma a acompanharem o percurso de aprendizagens.
A Escola, sofreu também nos últimos anos um conjunto de reformas, que se por um lado, a tornaram menos regida, e autoritária, por outro lado apagaram muitos dos limites orientadores do bom comportamento, essenciais para crianças que não tiveram a possibilidade de construírem ainda o seu esquema pessoal de regras e bom comportamento.

Na época da escola massificada, “democratizada”, surgem dos grandes focos de problemas: o insucesso repetido, a indisciplina no espaço escolar. Situações que levam sucessivamente ao aumento do absentismo escolar e num segundo momento ao abandono precoce da escolaridade.

Diferentes estudos apontam um amplo conjunto de factores de risco que condicionam o sucesso e o bom comportamento escolar, realçamos: o grau de escolaridade dos pais, o nível sócio económico, o acompanhamento escolar feito pela família, o número de experiências pedagógicas extra escolar. Conclui-se com facilidade que o modelo tradicional de institucionalização, com afastamento das crianças da comunidade, perpetua os factores de exclusão escolar.

Urgia desenvolver um modelo, com forte factores de inserção na comunidade, baseado no vasto conjunto de parcerias que dinamizassem diversas respostas pedagógicas e lúdicas que se adequassem às reais necessidades das crianças, e que funciona-se como motor de inclusão.

Durante o ano de 2002 o Lar foi progressivamente reduzindo o número de educandos de 40 para 20, tendo começado o ano escolar de 2002/2003 com somente 18 educandos. A redução de educandos não implicou uma redução dos funcionário do Lar nem da Equipa Técnica que dá apoio ao Lar, o que resultou na duplicação da relação educando/adulto.

Actualmente, o Lar dos Rapzes, tem um acordo de cooperação com os Serviços da Segurança Social para 12 crianças.

O espaço físico foi reestruturado, passando o Lar a ocupar somente a ala esquerda, do edifício N.º 11 da Elias Garcia. Pretendeu-se que o espaço físico reflecti-se o mais possível uma “casa de família”, onde as divisões são mais pequenas, acolhedoras, e personalizadas.

Em cada quarto passaram a dormir somente 3 ou 4 crianças, consoante as faixas etárias.

As rotinas diárias foram alteradas no sentido de promover uma maior responsabilização de todos os educandos. Criaram-se equipas de quarto e de sala de refeições com tarefas distribuídas, por forma que o lar funcione como uma verdadeira comunidade.

As equipas de trabalho mais eficientes são premiadas com o título “Zé Acaro” (equipa de quarto) e “Manuel Gorduras” (equipa de refeitório).

Organizou-se um Jornal de Parede, “Os Larenses”, todos os educandos são jornalistas, podendo expor livremente os assuntos que mais lhes suscitam interesse.

No presente temos uma casa alegre, onde os problemas já são resolvidos através do dialogo e onde todos os educandos, já acreditam que os adultos se preocupam com eles. Um dos reflexos do que afirmamos, é diminuição drástica dos problemas de indisciplina no espaço escolar, e a melhoria significativa do aproveitamento escolar.

 

[Página actualizada em 25-03-2014]